sábado, julho 19, 2008

sem sumo!



a cidade era uma laranja cinzenta, seca, sem sumo e extenuada dos anos as cores agarraram o dia, cheio de imperfeições. não havia caminhos traçados, nem trilhos calcados. era o vazio que habitava o dia da laranja com cores .

os silêncios escutavam-se nas esquinas das casas desbragadas e preciosamente dormiam na poeira dos talentos

na rua já não brincavam as meninas,

o tempo passou por uma, mas ela não soube passar o tempo.

vivia na teimosia de uma vaidade sem prazos.

foi um outono de hábitos despida e um inverno de alma gelada.

entrou ao lado da primavera mas nem as flores brilharam,.

a menina da cidade de laranja quis ser verão com sabor a mar, mas nem o verão, nem o mar quiseram a menina das manias tresloucadas.

a outra menina partiu, foi viver a doçura da vida, na cidade sumarenta de sensações.


na cidade sem sumo o ar falava numa página de amor, o único esforço de vida de um tempo..

flutuavam gritos a ciprestais num remexer estonteado de olhares de seres vegetativos

as palavras que ainda tinham vida, recordavam genuínos sentires de figuras prestigiosas, eram os amores das páginas colocadas no ser

secretos continuavam os olhares, queimavam e rescindiam o poder das cores agarradas à cidade seca.

a morte espreitava, andava à solta. queria a amiga da menina tresloucada

uniram-se as palavras, transfiguraram as alucinações em energia. os olhares conceberam corpo. luziram as cores. as mãos moldaram o esforço dos espaços diurnos e as pedras formaram o friso no princípio da razão

a menina da cidade sumarenta cresceu, é mulher perfeita em sensibilidades, da sua janela fértil nascem palavras que fazem sorver amor

a cidade agora vive, fora da outra vida, inunde nomes rasgados de um ventre ligados à lua e ao sol



l.maltez

quarta-feira, julho 02, 2008

tango!



aconteceu o tango
assim na paixão
do desejo de dois corpos entrelaçados.
na sensualidade de um passo,
num brilho sedutor do olhar
a melodia que movimenta
é sedução.

o corpo é só um
numa cadência harmoniosa.
os passos são anseio
dobrados ao som melódico.
os braços ladeiam em sensuais carícias
num encanto embriagado
em ardor de minutos


é a dança da vida
na loucura da entrega.
ferve o sangue no corpo
dos murmúrios eloquentes.
prende-se a alma e o coração.
o gemido é de paixão
em aromas sedutores.

um dançar único na sentida melodia
é êxtase do amor !


helena maltez



sexta-feira, junho 20, 2008

a palavra




cresce a palavra
na leitura dos dias,
caminha dentro do livro
e
toca-nos.
num tempo ajustado
marca sinais.

neste engenho a leitura
é fonte inesgotável,
prazer saciado
fascínio e compromisso,
diálogo incessante
na plenitude
da imaginação.

serenas, as palavras
rebentam
em pedaços de sabores
suaves.
fecundam teias
tecidas de saber.

vestem-se palavras
de várias emoções.
dão à leitura
a delícia do instante
em traços rasgados
dos contos de encantar.

pousa um verso que se tece
no estandarte das imagens.
o gesto, é um equilíbrio sonoro
das letras e sílabas de quem o lê.



l.maltez

terça-feira, junho 10, 2008

rios


das tuas mãos rebentaram o barquito,

o barquito de papel..

querias alegrar o dia

e dentro de sorrisos autênticos

foi maravilhoso sonhar



navegamos juntos

na pequena embarcação

não no mar, mas entre rios transparentes.

as minhas mãos foram tuas

nas carícias do anseio



foram rios de uma vida

navegados por nós nas certezas.

saciamos a placidez

daquelas águas tão doces

de um verde prata colorido.



o barquito seguía um rumo,

sabia onde levar-nos.

o sonho era concepção

dos rios que sentiam nosso olhar

entre paisagens sem tempo.



no silêncio do teu desenho acordei

e os rios foram corpo em movimento




helena maltez





estas palavras foram ditas nas Noites de Poesia em Vermoim de 7 de Junho de 2008 http://movimentum-blogando.blogspot.com/ na voz de um amigo José Gomes, que agradeço com amizade


sábado, maio 17, 2008

palavras com som amigo!

a cabana é de palavras, construída sobre o mar.

não tem portas nem janelas, isso faz com que não se consiga fechar.

o vento, esse é seu protector ela é feita de palavras, palavras de todos vós que adoro. as mais amargas ele consegue arrasta-las…

e a cabana não se desmorona!

por não saber ser ausência venho e abraço todos, com um enlaço do tamanho do mar que me alimenta a alma. a cabana é cada um de vós




é o vento que conversa

nos astrais rudes da tua voz.



o perfil é terra sem alma.



acuras as esperanças

inflamam-se em labirintos.



o abismo é ensejo

no sorriso da ironia



um nome estranho demove o grito

saído das costas coagidas.



puro é o espaço úbere

no silencioso vulto

que louco repete

supostas virtudes



o espanto é figura na voz

de rostos sem nomes

coroados de leveza



ermo na noite, o vento irrompe

e é o impulsor do corpo!



l.maltez






sábado, abril 05, 2008

solidão?




foi a solidão que entrou no silêncio.

tinhas asas de borboleta

um corpo delineado de mulher,

dedos parados

em espaços luminosos.


o tacto era o sinal,

transformado em ritmo

de vaporosas borboletas

na leveza de um irradiante reflexo

suspenso na explosão da liberdade.


um leque de artérias

moldou a primavera.

no jardim, gira a dança das labaredas.

descontinuas as vozes

expulsão o silêncio vadio.


a liberdade agita o corpo

na sensível trama das emoções.

a força vem de dentro

onde o sangue queima,

fendido na chaga da fala


a solidão é mulher em asas de borboleta




l.maltez

sexta-feira, março 21, 2008

pura poesia!




escultura de um tu

feita mulher

em corpo firme,

consumido em rocha


talismã da esperança.

presença marcante

pintada da tela do amor,

numa dulcidão de sentimentos.


interior fresco

sem sombras.

num respirar de saudade

é silhueta embriagante de mistérios


rasgada, para se fazer sentir

é pura poesia!




l.maltez

domingo, março 09, 2008

emoções!




fio a fio

saltam das mãos,

mistérios ressurrectos.




há voracidade

no avesso do desejo


luzente a imagem

fixa raios num rosto


busca emoções

filtradas no centro

das raízes de pressões.


pulsa a água,

exalta a brisa,


lenta, mas deslumbrada

passa a onda num olhar.


espaço de vento

onde surge esbracejado

o sentimento íngreme

de árduas emoções


num corpo a noite

e apenas uma visão




l.maltez

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

despidas




despidas, mas sempre belas!



simples, crescem pausadamente

adornadas de flores que darão frutos.

vestem-se de verde esperança

e nas suas folhas nascem pássaros

que cantam entre as manhãs e as árvores

onde vorazes se guardam os dias.



efémera a voz rasga por dentro

deixam desabar a resina,

e gritam à chuva negra,

o lamento de um amor irrecuperável

nas folhas que juncam o chão,

amarelecidas nos gemidos dos ventos.



olho-as na serenidade fria do dia

maravilhada vejo-as despidas

despidas, mas sempre belas!




l.maltez





nas Noite de Poesia em Vermoim, do dia 3 de Novembro de 2007 , o Zé Gomes teve a gentileza de dizer palavras por mim escritas a brincar.
Obrigada Zé Gomes, participar nas Noite de Poesia em Vermoim é um prazer, uma alegria enorme e estar um dia presente é o meu maior desejo

domingo, fevereiro 03, 2008

recomeçar





a névoa abraçou a madrugada

sentada ao lado do mar.

os instantes foram brancos

no abatido silêncio,

a sombra confundiu-se.

deslizou sobre o manto do abismo

com cheiro a sonhos queimados


homens circulam na quimera da cidade.

embarcam nos dias caiados de sol

vertiginosos nos hábitos.

nas mãos levam o ruído

de uma música perecível

e ficam prisioneiros

na claridade das ondas do mar revolto


exaustos da névoa

chamam as manhãs,

fedendo o ar

no crepitar

fulgor do sémen.


recomeça sereno

o voo do pássaro madrugador




l.maltez

sábado, janeiro 12, 2008

fontes





nascem inseguras as fontes

quebra-se a auréola nas rochas.

crescem no tecer dum tempo

sobre um lençol fecundo,

do cheiro da terra mãe.


fontes de vida, de sinal sentido

aroma que tinge obstáculos

dissolvidos na luz,

espanto e beleza juntos

no intimo dum útero casto.


tranquilas rebentam

como gargalhadas cristalinas,

no polígono uniforme.

insustentável é um quase nada

dentro do mistério da natureza.


alimentam com suas gotas suaves

o pedaço sabor da esperança.

sem pedir, nos rochedos da sedução,

beijam lábios recônditos

sem medo do brilho que dura


fonte de fontes que nascem de versos

saciam a sede no ventre afluente!



l.maltez



domingo, dezembro 30, 2007

mudança




vai ano velho, vestido de nadas

e não olhes para traz

parte insensível ao instante


chegas-te como todos os outros

carregando a miséria, a guerra e a fome.

imagens desumanas da ruína que nos deixas


abriguei-te dessa inquietação

dei-te um cantinho de mim

e nem um sorriso veio de ti


foste o vento temível

o encontro imprevisto,

e até pedinte insaciável do equívoco


deixa-nos ficar os afectos, os sentires,

o amor intemporal da frescura única,

deixa-nos o cântico da paz, a exultação


parte e leva este vento frio dos sonhos inúteis

enquanto esqueço o teu nome

no abraço silencioso da despedida


emudecida espero a voz que recobre

a sonoridade da esperança!



l.maltez






segunda-feira, dezembro 17, 2007

É sempre Natal no Peito




vejo o vazio do rasto
no branco de olhares com fome

vejo no espelho rostos
abandonados ao frio


vejo um presépio de mãos
estendidas à procura de vida


vejo dias indivisíveis
de uma infância estilhaçada

vejo lágrimas de pretensão
rastejantes a sorrir

vejo sim, vejo presunção
que não se reconhece


mas vejo o nascimento
numa extensão de vida

e aí afirmo
é sempre Natal no Peito

l.maltez


estas palavras sentidas, foram ditas nas Noites de Poesia em Vermoim de 1 de Dezembro de 2007 http://movimentum-blogando.blogspot.com/ pela minha querida amiga e Poeta Maria Mamede . Obigada Poeta e um abraço envolvido em calor.



terça-feira, dezembro 04, 2007

prémios e desafios

um post único onde vou reunir com carinho o muito que me foi oferecido

nem sempre estive presente, aqui na cabana.

a ausência foi grande, lentamente vou tornar a areja-la com palavras. o inverno vem aí e não quero o mofo a tomar conta dela.

começo por agradecer a um amigo que habita na blosfera há tantos anos como eu.

refiro-me ao Å®t_Øf_£övë, um blog onde a boa disposição prima e reina, com partilhas que me fazem ficar sempre bem disposta, um blog que gosto!

obrigada Å®t_Øf_£övë por teres estado sempre presente, mesmo comigo ausente, por me teres premiado com o “Prémio Visitante”

vou deixa-lo a todos que por aqui passam, é com ternura que o partilho, tenho a certeza que o merecem

para ti a ternura do meu abraço Å®t_Øf_£övë

mais uma caminhada e desta vez para ir até ao cantinho de uma Poeta que admiro, uma Poeta que há muito leio, foi emocionante encontra-la na blosfera, ler aqui a sua poesia tão cheia de sensibilidade. lembrei-me de um dos seus poemas

“Hoje, confesso, acordei com vontade de ser feliz”

claro que me estou a referir à Poeta Graça Pires

foi com uma grande ternura e emoção que me vi nomeada por tão excelente poeta. é com orgulho que o recebo e o fui buscar carinhosamente para passar a habitar também aqui na minha cabana

obrigada Graça Pires ler-te é um prazer

é com muita ternura que te abraço Graça Pires

diz o regulamento que tenho que fazer a passassem do prémio a 7 blogs da minha preferência, como eles são muito mais que 7, fica atribuído a todos os blogs, pois o meu carinho por todos é muito

mais um passo e chego a outro blog que me prendeu. um blog com uma excelente escrita, em cada frase há uma entrega plena. toca-me e deixa-me parca de palavras cada vez que o leio. o que escreve é muito emotivo. refiro-me ao meu amigo Pena

senti-me privilegiada por me ofereceres o Prémio Escritores da Liberdade;

é em liberdade que escrevo, é em liberdade que sei estar no dia a dia. porém foi uma honra receber de ti este prémio

quero também agradecer à Ana, pois também ela me ofereceu igualmente o Prémio Escritores da Liberdade. é um blog de “escolhas e de palavras alheias” como a Ana diz, mas é um blog onde gosto de me encostar a ler. deixa-me encantada . foi com um grande prazer que recebi de ti este prémio e o coloco lado a lado

é com a força da liberdade que vos abraço meus queridos amigos Pena e Ana

o regulamento mais uma vez diz que o tenho de partilhar por outros blogs, como liberdade é a minha forma de ser e estar partilho-o com um enorme carinho a todos que igualmente sabem o que é liberdade e sei que são muitos, não me é possível escolher uns em prol de outros, pois liberdade existe em todos os blogs. para todos fica o Prémio Escritores da Liberdade

cheguei ao momento mais difícil que me foi proposto por outra excelente Poeta, uma Poeta que mora dentro da suavidade e da emoção, Claudia Perotti

Claudinha, grande partida a tua, não sei se estou à altura do teu desafio: Encruzilhada...

devo compor um post em prosa/conto ou poesia com o título dos últimos 10 posts,
não necessariamente na mesma ordem de publicação, usando outras palavras
para dar sentido ao todo

Claudia Perotti obrigada pelo desafio, vou tentar. é com muito carinho que te deixo o meu abraço

claro que vou arriscar e passa-lo a todos que por aqui passam, tentem, acreditem que é aliciante.


Encruzilhada... da cabana




no ventre os traços tecem horas somadas

desafios crescem no fulcro

e erguem-se sonhos que descem

como purificados entre silêncios quebrados


o frio humedece o coração

rasga o peito em pedaços de saudades

é a chegada da estrela na manhã

os gestos permanecem preguiçosos.


alinhavados fecham-se no baú de palavras

e a melodia perfeita solfeja das cordas da guitarra.

separa-se o rosto do olhar refulgente,

perturbado fica preso, ao ponto ilusório

chega veemente a pausa sem tempo!


a paixão embarca sem medo…

o dia começa hoje!



l.maltez

domingo, novembro 25, 2007

o frio






o frio entrou e tocou-me,

tinha sede de calor

queria um corpo para morar.


os seus olhos de vidro eram misteriosos

vinha sem sonhos

do lado de lá do silêncio,

cansado da viagem e sem memórias

perdia o rumo da noite dilatada.


respirava nas sombras,

onde a minha ausência se quebrava


vibráteis as nuvens perderam a rota

e frágil o meu olhar acordou,

na insónia de uma noite imperfeita


o frio queria um corpo,

onde ansiava morrer.

o rugido feriu-me a alma

e o desejo despertou


pernoitou em mim

agarrado aos alicerces do meu sono

desfocado, infindável nas sensações


o frio desaguou em mim!



l.maltez

domingo, outubro 28, 2007

melodia perfeita




soletrei as palavras

uma a uma

caminhei sobre elas

sem pressão

entre uma melodia perfeita

do som da minha rua


gravo os reflexos

escuto o eco

inesperado

o relógio canta


a voz é frágil

mas sem medos.

num olhar a miragem

espelhada no perfeito oásis


tacteio palavras

ocultas na penumbra de uma quimera

invento perfis numa tela

e no silêncio de uma praia

sai de mim o sonho florido



as asas das gaivotas fascinam-me

dançam Mozart num palco invisível




l.maltez

domingo, setembro 30, 2007

baú de palavras




abri o baú e as palavras saltaram

sem brilho, desertas de esperança


sentiram a ausência

e por sentir estavam sem cor


peguei carinhosamente uma a uma

pintei-as com as cores do arco-íris


senti-lhes a sede, a fome

a entrega num canto chorado


fi-las renascer, em fios ternos

no pensamento sem tempo


entram então saciadas

no meu corpo desfeito


voltaram a ter o som

e ser o voo suave que partem das minhas mãos


l.maltez

sexta-feira, agosto 31, 2007

navego


navego nos sentires,
em palavras escritas
semeadas com afectos.

navego no toque do prazer
envolvida no olhar fugaz
sedento das marés do mar

navego nos sonhos
em encontros secretos,
nos murmúrios entre sussurros
ou nos sorrisos de um lábios ocultos.

navego numa teia
confusa e disforme,
do lado de lá da janela interdita
sobre uma mágoa salgada.

navego fundida no desfrutar do silêncio
sem hora, onde sou cicuta sem segredos!


l.maltez

segunda-feira, agosto 06, 2007

pausa sem tempo!





fui encontrar-me com o tempo,

na janela aberta.

vestígios de saudade envolviam-me.


pensei ser eu o tempo,

aquele que me dá horas

que me contamina os dias.


o tempo com sombras

desligadas da luz

e da memória.


contemplei o horizonte

e o tempo não era eu.


sinuosas buganvílias

cresciam no meu olhar,

entre sorrisos definhados

de um silêncio que não me abandonou.


arde-me o sal dos dias de amar

numa ausência inabitada.

o tempo tem hora

tem meia verdade por direito,

traz a mancha, o vicio, a pausa mágica


o instante é destino

ou delírio emudecido,

vestido com a verdade

que se foi no vento da ironia

de um vazio turbulento.


a voz do mar emerge

num tempo sem vício,

a janela fecha-se

à melancolia inóspita das palavras

em meio rosto disfarçado de nadas.


surgem afectos, lembranças e indiferenças

grito para sentir o silêncio.

fico do lado de cá do tempo

que não existe e espero.


repentinamente sem a chamar

aparece a pausa,

a pausa sem tempo!



l.maltez

terça-feira, julho 10, 2007

silêncios quebrados


tempero a noite com a lua
encosto-a à sombra dos sentires.
desenho-lhe asas,
dou-lhe sonhos
em simbiose perfeita de delírios
pintados em brilhos enfeitiçados.

sussurradas em artérias desconhecidas,
as caras vibram entranhadas
nas imagens dos espelhos.
o perfume que deixam
é agudo, crispado, ressacado.
sorvo o a luz das alucinações,
atravesso a cidade
perdida na calha da noite.
tocam-me palavras sensíveis
cheias de leveza e desejos.
a ausência sente-se
na paixão que se prende nas veias
coloridas das nuvens rasgadas.
o corpo exausto treme
na ânsia dos silêncios quebrados.

l.maltez

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...